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Ozarfaxinars

e-revista  ISSN 1645-9180

Direção: Jorge Lima   Edição e Coordenação: Fátima Pais

 

[Outros números publicados]

 

 

___78___

Fevereiro 2018

 

Coaching para docentes®

- É preciso recuperar o prestígio de ser professor

Maria Lurdes Neves

 

O que é que o coaching educativo pode fazer pelos pais e pelos professores? Porque é importante pôr os alunos a refletir e a registar o que experienciam de positivo na escola? Como é que esta reflexão pode ajudar a resolver problemas comportamentais? Como as estratégias do coaching educativo e do coaching para docentes® que podem inverter esta atitude nas escolas? Qual a principal ameaça à implementação da mudança nas escolas e nos profissionais de ensino?

 

 

Maria de Lurdes Gomes Neves realizou o Programa Doutoral em Psicologia, na área de especialização de Psicologia da Educação, mestre em Psicologia das Organizações pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Áreas de Especialização em Psicologia da Educação, Psicologia das Organizações e Orientação Vocacional e Coaching Psicológico. (Consultar nota curricular na íntegra)

 

 

Introdução

 

O contexto socioeducativo português assume um crescente desafio para os profissionais da educação e docentes a possuírem um conjunto de técnicas que ajudem, efetivamente, a alcançar as metas da educação, a aperfeiçoar as competências, a aumentar os índices de autoconfiança, motivação e de valorização. Neste contexto, o exercício da profissão de professor tem sido, profundamente afetado, ao longo dos anos, pela intensificação da burocratização dos procedimentos e processos de trabalho, pela maior responsabilização incutida por parte dos diversos atores e partes interessadas do sistema educativo e até mesmo pelo escrutínio público (Day, 2004; Estrela, 2001; Helsby, 2000). Efetivamente, os professores, para além da componente letiva, têm vindo a ser avaliados pelas suas opções e pelos resultados dos seus alunos, sendo-lhes frequentemente solicitados relatórios, justificações e fundamentações, a que eram completamente alheios no passado, e geradores de desconfiança. O poder crescente da pressão dos pais e a publicação dos rankings escolares tem promovido igualmente junto dos docentes alguma tensão. Em conjunto, estes fatores de mudança têm vindo, inevitavelmente, a contribuir para um decréscimo da motivação dos professores, da identificação com a profissão e do comprometimento face às suas escolas, bem como para a sua, cada vez mais generalizada, insatisfação no trabalho (Neves, 2017).

 

Para responder a estes desafios do contexto educativo e dos docentes, nas últimas duas décadas, o coaching educativo tem-se revelado um contributo significativo na transformação dos ambientes escolares e nos docentes, nomeadamente na Direção de Escolas e lideranças intermédias, podendo designar-se como coaching para docentes® quando a sua aplicação concerne especificamente aos docentes. O coaching para docentes® é um processo intrinsecamente orientado para a ação, que envolve a transformação de atividades e de tarefas em oportunidades de ação, direcionando-se para a clarificação e concretização de objetivos para professores e, consequentemente para alunos, o que se traduz num processo ensino-aprendizagem orientado por objetivos. Nesse sentido, quer o coaching educativo quer o coaching para docentes® procuram desenvolver possibilidades e responder à necessidade de renovação dos contextos educativos. Com base na reflexão teórica e prática, científica e experiencial, são apontados um conjunto de procedimentos que, uma vez implementados, tornam os participantes cada vez mais líderes de si próprios, para depois também serem líderes de pessoas e de turmas, que pretendemos sejam empreendedoras.

 

O que é que o coaching educativo

pode fazer pelos pais e pelos professores?

 

O coaching educativo pretende proporcionar aos docentes recursos e ferramentas para aplicar na sala de aula que não só potenciem metodologias de aprendizagem mais associativas e colaborativas, como também os possa ajudar a aumentar a sua própria motivação e a da classe docente e melhorar o relacionamento com os seus alunos.

Partilhando a perspetiva de Pérez (2016), as famílias e os pais podem esperar que o coaching educativo lhes facilite alguns recursos emocionais para melhorar o relacionamento com seus filhos. Em primeiro lugar, queremos que as famílias compreendam as mudanças que ocorrem no cérebro de uma criança e de um adolescente e, consequentemente, no seu comportamento. E a partir dai elaborar recomendações aos pais para lhes permitir estabelecer uma relação adequada com os seus filhos.

 

Em segundo lugar, é sempre muito importante facultar aos pais e encarregados de educação estratégias que possibilitem a compreensão e a gestão de emoções e também sobre a importância de se expressarem as emoções de uma forma saudável e satisfatória. Tem sido empiricamente demonstrado que qualquer decisão tomada, por trivial que possa parecer, está involucrada por emoções.

 

Porque é importante pôr os alunos a refletir

e a registar o que experienciam de positivo na escola?


Com base na perspetiva de Pérez (2016) que faz referência à pesquisa empírica realizada pela equipa de Martin Seligman, psicólogo e investigador da Universidade da Pensilvânia, constata-se que se formos capazes de nos concentrar e relembrar o que é positivo, será muito mais fácil repetirmos essa experiência.

 

Por isso, Pérez (2016) criou uma nova ferramenta na educação designada por “As três coisas positivas” e que consiste em colocar o aluno a escrever num caderno, antes de dormir, as três melhores coisas que aconteceram ao longo do seu dia e a anotar como se sentiu ao tê-las experimentado.

 

Como é que esta reflexão pode ajudar

a resolver problemas comportamentais?


A ação repetida no tempo, consolidada e repetida diariamente durante pelo menos um mês, promove a mudança de comportamentos. Conforme refere Perez (2016), o melhor é que se repita ao longo de um trimestre, conseguindo-se criar nos alunos o hábito de se concentrarem no positivo e não tanto sobre os aspetos negativos da escola e das disciplinas. Desta forma, possibilita-se aos alunos aumentar a sua motivação, auto-estima, reduzir os problemas comportamentais e melhorar as relações com colegas e professores.

 

Como as estratégias do coaching educativo

e do coaching para docentes® que podem inverter esta atitude nas escolas?  

   
Através do coaching educativo e do coaching para docentes® é possível que professores, famílias, lideranças em contexto educativo e estudantes sejam capazes de obter uma nova visão da sua situação e da do outro. Conforme refere Perez (2016) é através da interpretação diferente da realidade que estimula a reflexão, a aproximação de posições, empatia, mudando a perspetiva e, portanto, gerando atitudes diferentes.

Os livros Coaching para Docentes (Pérez, 2014) e Ferramentas de Coaching Educativo (Pérez, 2016) são exemplos de manuais que mostram várias ferramentas e recursos que permitem essa mudança de perspetiva.  Por exemplo: a “Janela de Johari”, a “Escada de inferências”, a “Escala de Avaliação”, a “Identidade Pública”. Ferramentas que no livro surgem aplicadas em situações reais. (talvez aqui uma nota de rodapé para explicar resumidamente o que são os exemplos que apresentou).

 

Qual a principal ameaça à implementação da mudança

nas escolas e nos profissionais de ensino?

 

Sobretudo a falta de consenso. Para Pérez (2016) as principais alterações que deveriam ser feitas na educação para realmente melhorar a situação seriam, em primeiro lugar, um consenso unânime de todas as forças políticas do país no sentido de ter um objetivo comum, de médio/longo prazo no que às políticas educativas diz respeito, os chamados pactos de regime que no nosso país os partidos do arco da governação teimam em não fazer. Depois seria necessário um investimento económico adequado.


Por um lado, é preciso recuperar o prestígio e a importância da figura do professor a nível social, perante os alunos e encarregados de educação. Por outro lado, é de extrema relevância melhorar a formação de professores e mudar o seu processo de seleção, dando mais importância à atitude, estilos de comunicação, competências pessoais, sociais e interpessoais do que à aptidão. Também se torna cada vez mais premente redefinir as metodologias de ensino com vista a se adaptarem ao desenvolvimento de competências previstas para o perfil do aluno do século XXI. E, finalmente, importa cada vez mais estreitar e fortalecer o estabelecimento de sinergias entre professores, através de trabalho verdadeiramente colaborativo e práticas de aula supervisionada, entre a escola e outras instituições, tais como empresas, universidades, fundações educacionais, municípios, etc.

 

Coaching para docentes® - a oficina de formação

 

C620. Coaching para Docentes e Relação Positiva com os Alunos

Curso, 25 horas

Ação realizada no âmbito do PNPSE – Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar

e cofinanciada pelo POCH – Portugal 2020 – FSE – Fundo Social Europeu

 

[Descritivo da ação]

 

92,4% dos formandos da primeira turma (C620A-17_18)

consideraram a frequência desta ação

de relevância para a melhoria da sua prática docente.

 

Visitas sugeridas

 

 

Coaching para docentes segundo Juan Fernando Bou Perez

in Webinar de LIDlearning, disponível no YouTube

 

[Relação da liderança dos diretores com comprometimento e a motivação dos professores no contexto educativo português]

Neves, L., & Coimbra (2017). in Revista E-PSI- Revista Eletrónica de Psicologia,

Educação e Saúde. volume1-artigo1.

 

[A passion for teaching]

Day, C. (2004). London, UK: Routledge Falmer.

 

Referências bibliográficas

 

Day, C. (2004). A passion for teaching. London, UK: Routledge Falmer.

Estrela, M. T. (2001). Questões de profissionalidade e profissionalismo docente. In M. Teixeira (Org.), Ser professor no limiar do século XXI (pp. 113-142). Porto, PT: ISET.

Helsby, G. (2000). Multiple truths and contested realities: The changing faces ofteacher professionalism in England. In C. Day, A. Fernandez, T. E. Hauge & J. Moller (Eds.), The life and work of teachers: International perspectives in changing times (pp. 93-108). London, UK: Falmer Press.

Neves, L., & Coimbra (2017). Relação da liderança dos diretores com comprometimento e a motivação dos professores no contexto educativo português. Revista E-PSI- Revista Eletrónica de Psicologia, Educação e Saúde. volume1-artigo1.

Pérez, J. F. (2014). Coaching para Docentes- Motivar para o sucesso para formadores e professores. Porto Editora.

Pérez, J. F. (2016). Ferramentas de Coaching Educativo. Porto Editora.

 

Nota curricular da autora

 

Maria de Lurdes Gomes Neves realizou o Programa Doutoral em Psicologia, na área de especialização de Psicologia da Educação, mestre em Psicologia das Organizações pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, licenciada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Áreas de Especialização em Psicologia da Educação, Psicologia das Organizações e Orientação Vocacional e Coaching Psicológico. Ministrou cerca de 5000 horas de formação nas áreas de formação comportamental, Avaliação de Desempenho, Gestão de Trabalho em Equipa, Formação Pedagógica Inicial e Contínua de Formadores, Diagnóstico, Concepção, avaliação e Gestão global da Formação, Motivação, Liderança de Equipas e Coaching (Business, Life Coaching, coaching para docentes e coaching parental) com públicos diversificados do setor público e privado. Detém vasta experiência profissional ao nível da metodologia de coaching para docentes, gestão e coordenação da Formação, processos de certificação de competências e certificação da formação, seleção e recrutamento, avaliação de desempenho em contextos públicos e privados e consultadoria de projectos de desenvolvimento/ organização e financiamento da formação. Detém ainda experiência comprovada como quadro de um grupo económico de elevado relevo nacional na área da Gestão da Formação e desenvolvimento de Equipas de Trabalho. Autora de diversas comunicações e publicações científicas sobre coaching, liderança, motivação e comprometimento dos professores em contexto educativo.

 

No ano letivo, 2017-18, exerce funções de formadora no CFAE_Matosinhos, no âmbito do PNPSE - Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, orientando a ação C620. Coaching para docentes e relação positiva com os alunos.

 

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 Agradecemos, desde já, a sua opinião sobre este número - ozarfaxinars@gmail.com

 

 

 

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